segunda-feira, 26 de março de 2012

Primeira edição do ano do projeto Memória Viva ocorre nesta quarta-feira (28/3)

A Prefeitura de Suzano, por meio da Secretaria de Cultura, realiza nesta quarta-feira (28/3), às 19h, no Teatro Municipal Dr. Armando de Ré (rua General Francisco Glicério, 1334 – Centro), a primeira edição do ano do Memória Viva de 2012. Neste ano, o projeto será trimestral e homenageará seis pessoas a cada edição. O evento é aberto ao público e gratuito.

Nesta quarta, serão homenageados Antônio Cláudio de Azevedo, Julio César Kowalski e Rodrigo Manuel Magalhães Monteiro. In memorian, os homeageados serão Anis Fadul, Horácio de Souza Coutinho, José da Costa Soares.

Como em toda edição do projeto, haverá música com Chiquinho, Teresa e o Grupo Geraes, que apresentarão a trajetória musical do músico Paulinho da Viola.

 

O projeto

O objetivo do Memória Viva é recuperar informações importantes sobre o município e de personalidades que fazem parte da história de Suzano. Para cada encontro, são confeccionados banneres com as biografias dos homenageados e gravadas entrevistas com os homenageados e seus familiares. O material passa a compor o acervo da Diretoria de Patrimônio Municipal, Artístico, Arquitetônico e Cultural.

Iniciado em agosto de 2010, o Projeto Memória Viva é realizado na última quarta-feira de cada mês. Há sempre homenagens a personalidades da cidade e um show musical.

 

Os homenageados

 

Antônio Cláudio de Azevedo

Conhecido como Tonhão da Life nasceu em Santo Antonio da Grama (MG), no dia 28 de janeiro de 1947, terceiro dos onze filhos de Maria Laura de Azevedo e José Severiano de Azevedo, mais conhecido como “Zeca Trambinha”, pedreiro que construiu alguns monumentos em sua terra natal.

Cursou o primário na cidade e aprendeu a cortar cabelos com Vicente Leão, seu grande incentivador.

Em 1963, mudou-se para São Paulo, exercendo a profissão de barbeiro e cabeleireiro. Em 1965, fixou residência em Poá e, em 1972, em Ferraz de Vasconcelos, momento em que se consolidou profissionalmente, atendendo uma considerável clientela de Suzano.

Mudou-se para Suzano em 1977, quando se casou com Maria Aparecida Ribeiro (Cida), educadora da cidade, com quem teve os filhos Junior e Julien. É avô de Juan Azevedo Costa.

Junto com um sócio, abriu a Life Cabeleireiros, o primeiro salão unissex da cidade, onde continua a exercer sua atividade com o auxílio dos filhos.

 

Julio César Kowalski

Nasceu em 31 de maio de 1919, no bairro do Brás, em São Paulo. Filho de Maria e o comerciante Juliano Kowalski. Dois meses após o seu nascimento, a família mudou-se para Suzano para cultivar uvas, em sociedade com o irmão de Maria. Uma forte chuva acabou com a plantação, obrigando-os a vender a terra e buscar outros negócios.

Júlio César cursou o primário no Grupo Escolar de Suzano que ficava no centro de Suzano. Matriculou-se numa escola (supletivo) em São Paulo, não concluindo por ter recebido a convocação para servir o Exército no período da II Guerra Mundial. Entretanto, uma forte infecção no ouvido o impediu de embarcar para a Itália.

O primeiro emprego foi numa tecelagem em São Paulo, por volta dos 16 anos. Apesar do desejo de trabalhar na parte mecânica, era funcionário do tear. Voltou para Suzano, trabalhou no bar da família, instalado na rua Major Pinheiro Froés.

O pai possuía um automóvel Ford 29, raridade na cidade à época, e Júlio passou a transportar os imigrantes japoneses que procuravam terras em Suzano, noivas para a igreja e moradores que precisassem do carro. Montaram uma borracharia ao lado do bar, para que ele e o irmão Thadeu trabalhassem nos dois serviços.

A família mudou-se para a rua Campos Salles e Júlio trabalhou em diversas atividades: transporte de cargas em caminhões próprios, montou uma mercearia, uma casa de calçados, manteve um posto de lavagem de carro e troca de óleo, além de dois lava rápidos, também construiu e instalou cavaletes da rede de água, gerenciou a loja de calçados Cazarini em Ferraz de Vasconcelos e o serviço de abreugrafia em Itaquaquecetuba, aposentando-se em meados de 1980.

Casou-se em 20/12/1947, em Jundiapeba, com a professora Lucy Franco Kowalski, com quem teve dois filhos: o médico Júlio José e a arquiteta Joseli Rita, que lhes deram cinco netos.

A lucidez e o bom humor que o caracterizam o fazem declarar que nunca bebeu ou fumou, apesar de trabalhar em bares e festas, dirigir até hoje sem usar a buzina ou ter sido multado. É declaradamente um apaixonado pela cidade que viu crescer, onde constituiu a família e realizou seus sonhos.

 

Rodrigo Manuel Magalhães Monteiro

Nasceu em 17 de fevereiro de 1939, na aldeia portuguesa de Aldegão, freguesia de Folhada, cidade de Marco de Canaveses, situada às margens do Rio Douro. Filho do fazendeiro João Monteiro Dias e de Rosa Soares Magalhães, mudou-se aos 16 anos para a cidade do Porto, para estudar. Aos 18 anos ingressou no exército e pediu baixa aos 20 anos, por não concordar com as guerras coloniais de Angola e Moçambique.

Imigrou para o Brasil e foi morar na casa de um tio no bairro do Tatuapé, em São Paulo. Começou a trabalhar no ramo da panificação, na padaria Santo Antonio, na Vila Maria, onde seu irmão José já trabalhava. Aos 23 anos, instalou a padaria Eliane no bairro de Vila Matilde, em sociedade com o irmão e dois primos, que foi vendida três anos depois. Os sócios compraram duas padarias em Jacareí, a Auxiliadora e Central, vendendo-as oito meses depois. Voltaram para São Paulo e compraram a padaria Copan no bairro da Penha, mas desfizeram o negócio dois meses depois.

Em 1965, de passagem por Suzano, pararam na Praça João Pessoa para tomar café na padaria; em menos de uma semana adquiriram-na e a mantiveram por 43 anos, transformando-a no ponto de encontro dos suzanenses. Rodrigo e seus irmãos José, Alexandre e Américo ampliaram os negócios da família, construindo outros quatro conjuntos comerciais, sempre com uma padaria como âncora: SuzanPão, Nova Suzano, Santa Helena e Nova Imperador.

Atuando no ramo da construção civil desde 1970, Rodrigo é sócio diretor das construtoras Predial Suzanense e Construtiva Incorporadora.

Rodrigo crê em Deus, o grande arquiteto do universo, é devoto de Nossa Senhora de Fátima e Nossa Senhora Aparecida. Casado com Maria Emília Monteiro, com quem teve os filhos Ricardo Antonio e Rodrigo João, este casado com Raquel e pais da neta Ana Carolina.

A inserção na vida social de Suzano – sócio do Lions Clube, onde exerceu a presidência por duas vezes, fundador do Clube Mirambava, irmão da Santa Casa de Misericórdia, colaborador da Apae, do Lar das Flores e outras entidades – aliada à sua atuação no comércio, foi reconhecida pelo Título de Cidadão Honorário concedida pela Câmara Municipal em 1980, por indicação do vereador José da Silva.

 

In Memorian

Anis Fadul

Nasceu em 18 de abril de 1912, em Rio Claro, estado de São Paulo, filho de Said e Nagibe Jorge Fadul. Diplomou-se , em 1935, em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, antiga Universidade do Brasil.

Retornou a São Paulo, casou-se com Chloris Fadul, com quem teve os filhos Lourdes e Anis Fadul Jr. Morou no bairro de Cerqueira César e, posteriormente, residiu e clinicou no bairro de Itaquera.

Em 1941 resolveu fixar residência em Suzano, tornando-se o primeiro médico residente a clinicar em nossa cidade, instalando seu consultório na primeira quadra da rua General Francisco Glicério. Optou pela cidade porque esta já contava com iluminação pública.

Além de clinicar, atendendo a todos que o procuravam, participou ativamente da vida da cidade, reconhecido pela comunidade, em 9 de novembro de 1947, quando foi eleito, assim como José da Costa Soares e Thadeu José de Moraes, vereador do Distrito de Suzano junto à Câmara Municipal de Mogi das Cruzes. Lutou pela emancipação do município, integrou o Conselho Consultivo da Comissão Pró-emancipação, criado em 1948.

Foi um dos oradores que discursou por Suzano, na sessão solene de emancipação político-administrativa, realizada na Câmara Municipal de Mogi das Cruzes, em 1 de janeiro de 1949; o outro orador foi Horácio de Souza Coutinho, presidente da Comissão.

Em 1949, foi eleito vereador, pelo partido PSD, nas legislaturas de 1949/1953, 1957/1961, 1965/1969, exercendo a presidência da Câmara Municipal nos anos de 1952/1953 e 1965/1967.

Dr. Anis foi um dos incentivadores da criação da Santa Casa de Misericórdia de Suzano. Clinicou, exerceu os cargos de provedor e de diretor clínico. Em 1957, foi um dos fundadores do Rotary Club de Suzano, do qual foi presidente no biênio 1962/1963.

Faleceu em 28 de outubro de 1975 e recebeu várias homenagens póstumas pelos serviços prestados à comunidade, sendo denominado de Dr. Anis Fadul: uma rua na Vila Maluf em 1975, a Escola Estadual no Distrito de Palmeiras em 1978, o Pronto Socorro da Santa Casa de Misericórdia, a Sala de Vereadores da Câmara Municipal em 1979 e o Ambulatório Médico do Jardim Monte Cristo.

 

Horácio de Souza Coutinho

Nasceu em Campinas, neste Estado, filho de Maria Laura e José Mariano de Souza Coutinho, no dia 10 de junho de 1890.

A família veio para Suzano em 1908, porque José Mariano foi designado chefe da estação da Estrada de Ferro Central do Brasil. Posteriormente, morou em Mogi das Cruzes, onde desempenhou a mesma função. Ele possuiu um armazém em Suzano, onde vendia ferragens importadas e Horácio instalou uma oficina mecânica onde consertava e inventava artefatos.

Participou de todos os movimentos para o desenvolvimento de Suzano, subscrevendo diversos manifestos encaminhados à Prefeitura e à Câmara Municipal de Mogi das Cruzes, solicitando melhorias para o bairro.

Com a instituição do Juizado de Paz de Suzano em 1920, tornou-se o primeiro escrivão, titular do primeiro Cartório de Paz e Tabelionato da cidade, época em que os cartórios desempenhavam diversas funções, hoje privativa de juízes. Tradição de serviços mantida pela família até os dias atuais.

Eleito presidente da Comissão Pró-emancipação em 1948, coube-lhe assinar o requerimento pedindo informações sobre a arrecadação fiscal de Suzano, encaminhado à Assembléia Legislativa no mês de abril, documento que possibilitou a realização do plebiscito, no dia 10 de outubro, que garantiu a independência de Suzano.

Em 1º de janeiro de 1949 discursou pela cidade, junto com o vereador Anis Fadul, na sessão solene de emancipação político-administrativa de Suzano, na Câmara Municipal de Mogi das Cruzes.

Poeta, seus trabalhos foram publicados nos jornais da região como a Gazeta de Mogy e a Comarca de Suzano, e em publicações de circulação nacional como O Tico-Tico e antologias literárias.

Casado com Gabriela Marques Figueira em 14 de maio de 1918, com quem teve os filhos José Maria, Nadir, Horácio, Ary e Thomé, faleceu em 1968.

 

José da Costa Soares

Nasceu em 21 de abril de 1907 em Taubaté, filho de Augusto da Costa Soares e Placídia dos Santos Costa. Residiu em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, onde concluiu o curso ginasial.

Ferroviário, funcionário da Estrada de Ferro Central do Brasil, foi nomeado agente da estação de Suzano na década de 1930, chegando a chefe da estação na década de 1950, aposentando-se em 1962. Trabalhou na Prefeitura Municipal, exercendo as mais diversas funções, nas décadas de 1960/1980.

Em 9 de novembro de 1947 foi eleito vereador da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes, junto com Thadeu José de Moraes e Anis Fadul, para representarem o Distrito de Suzano.

Participou ativamente do processo de emancipação político-administrativa de Suzano, integrante que foi do Conselho Consultivo da Comissão Pró-emancipação, instituída em 1948.

Eleito vereador da Câmara Municipal de Suzano, foi seu presidente no período de 1955/1957 e nas legislaturas de 1961/1965 e 1969/1973; exerceu a vereança por idealismo, já que o cargo não era remunerado.

Foi um dos fundadores da Santa Casa de Misericórdia e do Apostolado Coração de Jesus.

Casado com Linda Miglioli Soares, pais de Maria Helena Soares Deliberato e José Carlos Soares, faleceu em 8 de maio de 1999.


Géssica Brandino

 

http://www.suzano.sp.gov.br/CN03/noticias/nots_det.asp?id=6962

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